Dioxina é uma neurotoxina,
pertencente ao grupo dos organofosforados, compostos de um grupo de anéis de
benzeno, hidrogênio e cloro. São subprodutos de diversos processos industriais
onde ocorre ou se utiliza da queima de cloro na presença de materiais orgânicos.
Na Segunda Guerra Mundial o cloro
foi usado, juntamente com outras substâncias químicas, como armamento. Após
esse período, com uma grande produção estocada, a indústria buscou novos
mercados para utilização do cloro, que foi assim inserido nos processos
industriais. Uma fonte de cloro, matéria orgânica e um ambiente térmico ou
quimicamente reativo para esses materiais gera a dioxina. Portanto, tanto a
produção de cloro, quanto o tratamento de produtos com cloro geram a dioxina
como subproduto.
As principais fontes de cloro conhecidas são
os processos industriais que utilizam cloro para produzir PVC (polivinil
cloreto), certas técnicas de branqueamento de papel e a produção de inseticidas
agrotóxicos. Além disso, a toxina é liberada pelos incineradores de lixo
hospitalar ou domésticos, pela queima de combustíveis de veículos com aditivos
clorados e pelas queimadas desregradas.
Não há níveis saudáveis de dioxinas.
A Organização mundial da Saúde (OMS) e a União Europeia estabeleceram a dosagem
de 3,2 picogramas/kg/dia, sendo que 1 picograma equivale a um trilionésimo do
grama) como limite. Isso significa
limites muitos baixos. Estima-se que o uso de um simples filtro de papel para
coar café feito com papel branqueado industrialmente seja o suficiente para
exceder os “níveis aceitáveis” de dioxina para toda uma vida.
Como as dioxinas perduram na cadeia
alimentar e se acumulam em tecidos adiposos, a alimentação é responsável por
96% da acumulação de dioxinas a que estamos submetidos.
As dioxinas são substâncias
teratogênicas (causam mutações genéticas e má formação fetal) e carcinogênicas em
animais. Suspeita-se que o mesmo possa ocorrer em humanos, uma vez que agem
como carcinógenos completos, que não precisam de outros elementos químicos para
atuar no organismo. Além disso, alteram receptores de estrogênio nas células,
podem ser tóxicas a seu crescimento e desenvolvimento, causando danos no
fígado, nervos e glândulas. São suspeitas ainda de causar problemas
respiratórios e diabetes.
É possível, no entanto evitar
exposição maciça a essa substância:
- Opte por papéis branqueados
naturalmente ou não branqueados, especialmente em produtos que entram em
contato com comida ou partes íntimas do corpo, como toalhas de papel,
guardanapos, filtros de papel, lenços de papel, fraldas e absorventes íntimos.
- Escolha alimentos orgânicos e com
baixa quantidade de gordura.
- Evite aquecer algum alimento no
microondas em embalagens plásticas, pois com o calor o plástico libera dioxina
diretamente no alimento. O mesmo vale para filmes plásticos que recobrem a
comida, que devem ser retirados anteriormente. Dê preferência a recipiente de
cerâmica e vidro.
No caso do PVC evite qualquer forma de
queima ou aquecimento intenso do material (fato comum em obras para dar elasticidade
aos canos).
Vê-se, portanto, que no atual
estágio da sociedade, torna-se difícil viver isentos dessa toxina, mas
minimizar os riscos ainda é possível.
